Facebook aplica regra para proteger dados de usuários e se afasta mais da China

Após diversos escândalos envolvendo vazamento de dados e violação de normas de privacidade o Facebook, ao que parece, está querendo se redimir. No entanto, ao deixar claro que estará mais focado na proteção das informações de seus usuários, a rede social acabou se indispondo com a China. O CEO Mark Zuckerberg apontou que está disposto a ser banido em países que não respeitam a questão da segurança das informações, e isso inclui o enorme mercado chinês e seu atrativo mercado de quase 1,4 bilhão de pessoas.


"Há uma diferença importante entre fornecer um serviço a um país e armazenar os dados das pessoas nesse país. À medida que construímos nossa infraestrutura em todo o mundo, optamos por não construir centros de dados em países com um histórico de violações de direitos humanos, como privacidade ou liberdade de expressão", afirmou Zuckerberg "Se construirmos centros de dados e armazenar dados confidenciais nesses países, em vez de apenas armazenar dados não confidenciais em cache, isso pode facilitar a obtenção de informações por parte desses governos. Manter esse princípio pode significar que nossos serviços serão bloqueados em alguns países ou que não poderemos entrar em outros em breve. Essa é uma troca que estamos dispostos a fazer". 

O co-fundador do Facebook afirmou ainda que "o armazenamento de dados em mais países também estabelece um precedente que encoraja outros governos a buscar maior acesso aos dados de seus cidadãos e, portanto, enfraquece a privacidade e a segurança para pessoas em todo o mundo". 

O relato de Zuckerberg atinge diretamente a China, com a qual o Facebook tem um relacionamento ambivalente. Os censores digitais chineses bloquearam a rede social em 2009 e, desde então, a empresa fez várias tentativas para conquistar a liderança do país. Um relatório de 2016 afirma que o Facebook está testando uma ferramenta que permite que um parceiro chinês monitore e manipule quais postagens podem aparecer na timeline dos usuários, tornando o Facebook aceitável para os censores. 

Além disso, as declarações de Zuckerberg atingem diretamente uma espécie de desafeto do Facebook: a Apple. Durante o auge da crise envolvendo a Cambridge Analytica, a criadora do iPhone criticou duramente a rede social pela questão da privacidade e ainda aproveitou para se promover um pouco, dizendo o quanto está preocupada com a segurança das informações de seus clientes. No entanto, na própria China, a Apple migrou dados de seus usuários para servidores controlados pela operadora estatal China Telecom, ainda que a empresa de Cupertino afirme que mantém um forte controle da privacidade do usuário. Ou seja, o discurso sobre a segurança de dados da Maçã funciona, pero no mucho, já que a empresa não está disposta a perder a sua fatia na venda de iPhones no mercado chinês - que já foi maior e hoje perdeu espaço para fabricantes locais como a Huawei e a Xiaomi.

De qualquer forma, se Zuckerberg levar a ferro e fogo as declarações ditas acima, o Facebook verá suas chances de expansão no mercado chinês desaparecem a curto prazo. Se esse é o preço que a empresa está disposta a pagar, só devemos elogiá-la. 

Fonte: The Verge
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